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A onda do mercado musical.

Hoje em dia, na área da música, tem-se escutado e lido como nunca as expressões “Tendência do mercado”, “Time do mercado” e “Tendência musical”. Sinceramente acho isso tudo muito ridículo. Uma das coisas que mais prezo na minha existência é a criatividade e o direito de ser uma pessoa diferente das outras, lembrando que “diferente” não significa “melhor”.

Ser diferente ou ser igual é uma escolha que temos que tomar todos os dias desde quando nos entendemos por gente. Na escola, temos a escolha de falar do nosso jeito ou repetir as gírias e expressões daqueles mais populares da sala. Na família temos a opção de sermos nós mesmos ou imitarmos o comportamento do primo certinho que usa terno, gel no cabelo e que nossa mãe simplesmente adora.

Ao passar por todas estas escolhas na minha vida sempre preferi ser eu mesmo; sempre preferi ter meu próprio jeito de falar, minha forma de vestir, minha forma de escutar música e de ver as pessoas. Sempre fui guiado por uma coisa que chamo de “discernimento”. Quando escuto uma música para fazer arranjos, simplesmente conto com esse dom e com minha criatividade, eu crio aquilo que vem à minha cabeça musical para aquela ocasião musical. Se é parecido com o que alguém já fez no passado tudo bem, isso acontece. Mas na maioria das vezes as coisas soam originais porque o processo criativo é único e quando alguém confia em seu próprio processo as coisas se tornam únicas.

Comecei muito cedo a me interessar por música e desde então sempre escuto músicas com um ouvido mais clínico. Sempre fui apaixonado pelas eras da música e por estudar o porquê do mercado pender para determinado estilo em determinada época. O que descobri é que o mercado musical é completamente influenciável: ele é uma marionete nas mãos de quem sabe manuseá-lo. O que quero dizer com isso é que sempre existiram dois tipos de artistas: aqueles que formaram\influenciaram\dominaram o mercado com sua criatividade e ousadia de inovar (independente da era musical que o antecedia), e a outra parte do mercado, formada por aqueles que sempre viveram na sombra dos artistas criativos, somente aproveitando as “tendências musicais” da época e fazendo imitações as vezes boas, as vezes medíocres – mas sempre imitações.

Você pode me perguntar: “Eles vendem? Eles ganham dinheiro?” Eu te respondo que sim, mas nem um décimo do que aqueles que moldaram o mercado com sua arte única. Sempre foi e sempre será assim. O que tenho visto é um monte de artistas literalmente seguindo a “moda” do mercado e o que está rolando nas rádios nacionais e internacionais, ou seja, seguindo uma fórmula para o sucesso. Claro que isso é muito tentador… ‘para quê mexer em time que está ganhando’, para quê se aventurar com coisas inéditas em um mercado que teoricamente já tem “dono”? Essa é a mentalidade de muita gente que tenho escutado ultimamente que me dá uma sensação imensa de “Déjà Vu”.

Por mais tentador que seja, é algo morto; é algo frio e sem sentido viver na aba de uma coisa pré-estabelecida. Acredito que aqueles que vivem assim muito tempo, independente da área de atuação, vivem vidas não completas. O ser humano foi feito para criar e inovar.
Hoje todos nós temos esta escolha: você quer vender de forma mais fácil sua música ou você quer ser um influenciador do mercado e das famosas “Tendências Musicais”? Você quer fazer história ou viver uma história que não é sua? Essa é a escolha de todos os dias. E aí, o que você responde?

 

Alfredo Ribeiro
Bacharel e mestre em Música/Contrabaixo pela Universidade Federal de Minas Gerais .Atualmente é instrutor de contrabaixo, percepção musical, teoria musical, arranjo e arte e religião em três instituições no estado de Minas Gerais. Atua constantemente como instrumentista convidado para apresentações e gravações, além de ser o diretor artístico do estúdio Além, localizado em Contagem, MG.
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2 de agosto de 2015

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